Acelera aí

Na infância deste guri, carros não era artigos tão comuns assim. Muito mais fácil era ver as charmosas carroças, movidas a cavalo, também chamadas de charretes (algumas, mais bem trabalhadas chamavam-se “faits” sabe-se-lá por quê). Carros até tinham, muitos deles dos mais antigos, as famosas Brasílias, os Fuscas Fucas e os Mavericks, como um que o pai do meu primo (leia o texto O Botinudo) tinha. No entanto, algo um tanto incomum de ver eram motos, até tinham algumas, as CGs da época, e algumas lambretas. No entanto, o que cativava a gurizada mesmo era as motos de corrida, aquelas barulhentas, talvez nem tanto por sua performance, mas pela raridade de vê-las.

A Vila da Quinta da época era muito mais próxima da imagem do campo (ou campanha, como queiram) do que a urbanização que se vê hoje em dia. Pavimentação, rede elétrica, saneamento eram coisas quase inimagináveis para a época. Talvez por essa característica rústica, volta a meia a Vila da Quinta era palco de corridas de enduro. Não sei se ainda hoje em dia chamam dessa forma, mas o Enduro (chamávamos assim, com maiúscula, mais pelo evento do que pela corrida em si) era uma corrida de motos, em terreno difícil, com barro e morros para se cruzar. A Vila da Quinta oferecia o terreno propício para o Enduro.

Para nós, o Enduro era um acontecimento. Domingo de Enduro era um domingo feliz. Ver as motos passando, com motoqueiros devidamente trajados era bacana demais. Ver eles rasgando o punho, sujos de barro e fazendo estripulias para agradar a “plateia” (levantar a roda dianteira, jogar barro longe, etc…) era demais. Porém, o Enduro podia ser perigoso, também. Afinal de contas era uma corrida, e nossos pais nos alertavam para isso, para que não ficássemos no caminho das motos. O problema é que o Enduro era imprevisível, a rota nunca era a mesma e assistir ao Enduro exigia muita atenção para não atrapalhar os corredores. Nem ser atropelado.

Um dia, quando os motores roncaram ao longe, eu e meus amigos corremos para ver o Enduro. Eu literalmente, outros dois em suas bicicletas. E lá estávamos, na rampa dos trilhos, o clássico ponto de encontro da gurizada, vendo as motos passarem rasgando rumo à Quintinha (ou seja, a rua depois dos trilhos). Todas elas passavam na mesma direção, longe da gurizada. No entanto, eis que de repente uma moto faz menção de mudar de rumo e vem a todo pau (expressão da época) na nossa direção. Foi um Deus nos acuda. Cada um fugiu como pôde. Porém, na correria, eu tropecei e caí. Só vi as rodas passarem pelas minhas costas, mas estranhamente não doeu tanto como eu imaginaria. Quando dei por mim percebi que as rodas eram, na verdade, da bicicleta de um amigo meu. Apesar do susto, tudo deu certo, as motos seguiram seu caminho e nós conseguimos fugir do delas.

Depois de alguns anos, nunca mais vimos as motos do Enduro. Talvez desistiram da Quinta, em franca urbanização. Talvez perceberam que era mesmo perigoso praticar o esporte em ruas abertas. Mas eu sempre lembrarei do barulho das motos, das estripulias dos motoqueiros e, claro, de ter sido atropelado por uma bicicleta.

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Do inverno

Um frio de renguear cusco. A expressão tão gaudéria quanto antiga servia perfeitamente para descrever o clima de inverno que este guri enfrentava. Não é novidade para ninguém que o Rio Grande do Sul é conhecido por seus invernos rigorosos, mas morar em uma vila afastada, com várias árvores e sangas abertas (aos incautos, explico em seguida), decerto ajudavam a aumentar a sensação de frio.

Acordar de manhã para ir ao colégio necessitava de uma grande operação “bota roupa”. Blusão, casaco, jaqueta, calça de baixo, calça de cima, meia (às vezes duas) eram o uniforme oficial. Sair de casa e testemunhar a famosa geada era prática comum. Os pátios, antes verdes, branquinhos numa beleza de doer os ossos. Às vezes também presenciávamos a cerração, aquela “chuvinha” cerrada que impedia a visão além do alcance. No inverno desde guri era impossível conversar sem ter “fumaça” saindo de sua boca.

Mas pensam vocês que isso impedia um guri de sair de casa, de brincar e se divertir? Estão enganados. Apenas a indumentária mudava, como já descrito anteriormente. A única coisa que nos limitavam eram as sangas. Para quem não sabe do que se trata, sangas são valetas, sistemas de escoação de água – e esgoto, às vezes – rudimentares, típicos de regiões de vilas, que não têm saneamento básico. Estas mesmas sangas eram motivo de alegria, no verão, quando pescávamos girinos com sacos de cebola (os vermelhos). No entanto, no inverno elas eram tão evitadas quanto o próprio demônio. Para se ter uma ideia, as águas ali paradas às vezes congelavam superficialmente, a ponto de se ouvir barulho de vidro quebrando quando se jogava pedra. Imaginem, então, o frio que ali emanava.

Nós, os guris, sequer imaginávamos entrar em uma sanga durante o inverno. Mas houve uma vez em que foi inevitável. E à minha revelia. Explico. Bicicletas eram artigos de luxo quando da infância deste guri. Eram poucos que possuíam este desejado “brinquedo”. Eu, mesmo, só fui ter a minha durante a adolescência. Um amigo nosso havia ganhado a sua e estava mais do que contente, mostrando a todos. Como que decreto parental, e todos nossos pais eram iguais nesse sentido, ninguém além dele podia andar na bicicleta (o que acho muito justo, hoje). Mas nada impedia que ele nos desse “carona”, no quadro da bicicleta. Mas era inverno. E havia sangas. E ele era um “motorista” inexperiente. Resultado: paramos os dois dentro de um sanga.

Os invernos eram muito rigorosos, do que me lembro da minha infância. Talvez algumas mudanças climáticas tenham ocorrido, talvez seja por que não preciso mais acordar extremamente cedo pela manhã, mas hoje em dia o frio já não me parece tanto. No entanto, nem toda geada, temperatura próxima de zero, sensação térmica, se compara ao frio que se sente quando se cai, com roupa e tudo, dentro de uma sanga no inverno. Felizmente, eu sobrevivi pra contar.

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Festa do Interior

Uma das coisas que mais alegravam a gurizada, quando da infância deste guri, era a chegada de junho e com ele as bergamotas festas juninas. Como eu morava em uma vila chamada Santo Antônio, a festa do dito santo era quase obrigatória para nós, guris das redondezas. Mas não apenas o casamenteiro era agraciado, havia também a festa de São João e de São Pedro, no meio das quais sempre acontecia uma das tradicionais “quermesses”.

Tenho na minha cabeça, memórias bem distintas destas festas, nas quais nos fantasiávamos de caipira e íamos pular a fogueira – habilidade para poucos – comer amendoim e pipoca. Nas festas juninas da minha infância também ocorriam a tradicional “cadeia” – torcíamos para sermos “presos” junto com a menina mais bonita – e alguns jogos típicos, como a “pescaria” (consistia de uma vara de pescar com um ímã na ponta e tentar “pescar” tampas de garrafa cujo interior revelava uma prenda). Uma vez, em uma festa junina eu lembro de ter cantando o sucesso da época, “Pensa em mim”, de Leandro & Leonardo, e com isso ter ganho alguns gibis. Minha maior distinção, visto que nunca foi bom cantor, mas gostava bastante – e ainda gosto – das história em quadrinhos.

No entanto uma das mais inusitadas e inesquecíveis festas juninas ocorreu alguns anos mais tarde. Já eu quase fazendo a transição para não mais ser um guri. Era festa de Santo Antônio. Reuníamos todos à volta do Centro Comunitário para comer pipoca, amendoim e também para ouvir a missa, celebrada pelo padre local. Não lembro por qual motivo, naquele ano, as pessoas responsáveis haviam montado uma barraca, tipo aquelas do exército, do lado de fora, como que um pequeno templo, com a imagem de Santo Antônio e algumas velas para oração.

Como bons quase ex-guris, estávamos à volta, serenos, tentando parecer sérios, e repudiando os guris, mesmo, que naquela altura estavam produzindo uma grande algazarra. Eles corriam, se batiam, se xingavam e se jogavam pedras (!). Pois eis que uma das pedras jogadas por esses guris, foi de encontro à tenda o santo. Um grande barulho se deu e a tenda se desmanchou. Nós, os sérios guris quase-adultos, corremos em socorro. Montamos a tenda rapidamente, antes que alguém percebesse (ou pensasse que tinha sido nós), reajeitamos o santo em seu altar. Tudo certo, missão cumprida.

Não, de todo. Eu havia sido o único a ter percebido o que faltava. E enquanto todos sorriam, satisfeitos por terem tomado conta do problema sem sustos, eu mantinha um semblante preocupado. Quanto todos perceberam que eu não estava sorrindo, ao contrário, acabaram me deixando falar. Mas nem foi preciso. Eu apenas abri minha mão e lá estava ela, a cabeça do Menino Jesus. Sim, a pedrada e a queda haviam decepado a cabeça do pobre messias. Com a incredulidade estampada no rosto todos se viraram como que para confirmar o que não acreditavam. E lá estava um Santo Antônio embalando um Menino Jesus sem cabeça.

Poucos momentos foram tão aterrorizantes quanto esse. A incredulidade do fato misturado com a descrença de que tal imagem era possível. Após o incidente, tivemos que relatar o ocorrido às “autoridades”. Fomos enquadrados, chamados de irresponsáveis, sem culpa nenhuma – os olhos das senhoras estupefatos com tal cena herética. A graça de pular fogueira havia se perdido.

Com os anos essa história virou anedota. Contávamos, para ouvidos incautos, que duvidavam da peripécia. E, realmente, é difícil crer que nos atemos apenas ao santo e não ao bebê ao seu colo. Mas é muito mais difícil ainda de acreditar que as festas juninas, divertidas como só elas, ficaram apenas escondidas no espaço da memória.

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Alta Tecnologia

Brasil, início dos anos 90. Mais precisamente Rio Grande do Sul. Rio Grande. Vila da Quinta. Presume-se por esta pequena explanação geográfica que um guri nestas circunstâncias não tinha muito acesso a tecnologias. E quão bom isto era.

Para um guri dos anos 90, luxo não era sinônimo de diversão. Havia tantas outras tarefas que levavam ao contentamento (jogar taco, brincar de se esconder, pescar e o futebol já foram relatados aqui mesmo). Em tempos em que palavras como patch, torrent e server não fariam o menor sentido, tecnologia era o incrível aquaplay.

Videogame, mesmo, era algo praticamente fora da realidade. Naquela época, meu cunhado tinha um Atari, mas jogar era – pasmem! – privilégio dos adultos e somente em raras ocasiões os guris, como eu, eram ungidos com tal honra. Futebol no videogame, então, era algo inimaginável (lembro bem da minha incredulidade ao ver o famoso Internacional Superstar Soccer do Super Nintendo, lá pelos idos de 1996). Contentava-se, então, com o tradicional futebol de botão, com escudos feitos em casa, recortados de uma Revista Placar qualquer. Mas os ventos da mudança já estavam a soprar.

Lembro que a primeira mudança tecnológica em nossa vida foi quando fomos apresentados ao vídeo cassete. O irmão do meu vizinho havia comprado a luxuosa novidade e como eu estava sempre na casa dele (era lá que eu assistia aos Changemen, Jaspion, Jiraya, etc.), por várias oportunidades fui também espectador dos filmes que a família inteira via. Acredito que o primeiro filme que vi em VHS foi O Exterminador do Futuro 2. E era lançamento à época, a fita mais disputada da locadora! Falar locadora é bondade. Tratava-se de uma estante dessas que qualquer um tem em casa, com tampo de abrir e fechar. À disposição deveria haver, no máximo, uns 20 filmes. Lembro que eu e o meu amigo (o vizinho) chegamos quase a esgotar as opções da “locadora”. O que um pouco de tecnologia não faz.

Na minha casa, o VHS foi chegar só depois. E lembro que fiz minha mãe gastar sua locação grátis, que vinha na compra do aparelho, com O Mentiroso, de Jim Carrey, direto na locadora mais badalada da cidade: a Video Lúdio. Depois, já não mais tão guri, virei freguês da locadora e aproveitei muito a ótima promoção de levar sete catálogos (ou mais) por sete dias. Mas todo meu vício por cinema remete àquele guri, sentado no sofá do vizinho, vendo Uma babá quase perfeita, O corvo, Predador e etc.

A tecnologia estava recém engatinhando, mas chegando para ficar. Alguns anos depois, abandonávamos nossas brincadeiras tradicionais para passarmos tardes em uma outra espécie de locadora: a de videogames. E nunca mais 50 centavos foram vistos da mesma forma. Rico era quem tinha 1 real e podia pagar por duas horas. Primeiro, com o Super Nintendo (Mortal Kombat, Street Fighter, Campeonato Brasileiro 96, etc.) e alguns vários anos depois com Playstation 1 e o vício definitivo por jogos de futebol.

A Vila da Quinta do início dos anos 90 era realmente atrasada e fazia jus às piadas que remetiam a sua lonjura. No entanto, o pouco contato que tínhamos com a tecnologia, seja através do incipiente então VHS ou do videogame, servia como complemento para a já divertida vida daqueles guris. E por isso mesmo, lhes garanto, senhores, se viesse um ser do futuro – tal qual o Schwarzenegger do filme – e nos oferecesse um tablet, um iPhone, um Xbox ou algo do tipo, o deixaríamos falando sozinho, enquanto corríamos desbaratados para a rua, onde a real diversão ocorria.

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Rincão

A Vila da Quinta era o lar deste guri. Mais precisamente a Vila Santo Antônio, identificada em sua entrada, na BR 392, pelo lendário bar A Toca do Zé Gambá, e limitada longitudinalmente pela malha férrea – chamada por nós de “os trilho”. A partir de então começava a Quintinha, e ali também era um lugar de circulação da gurizada. Mas meus espaços de interação não se limitavam ao solo local e adjacente, havia um outro local que também me era muito querido: a Palma.

Meu pai e minha mãe eram ambos originários de regiões de campanha, popularmente chamados de “lá de fora”, mas por mais que a Quinta não fosse uma metrópole, estava bem longe de ser a campanha na qual eles haviam crescido. Na verdade, a famosa vila era um pequeno pedaço quase urbano, esquecida entre árvores que circundavam estradas que pareciam não ter fim. Por mais gaudério que este guri quisesse parecer, no fundo mesmo eu era apenas um guri de vila (jamais confundir com o nefasto título de “guri de apartamento”). No entanto, ainda que minha raiz não estivesse fincada na morada do mítico gaúcho, ainda assim eu guardava relações com este espaço que iam além da origem dos meus pais.

Minhas irmãs foram casando à medida que eu ia crescendo. A primeira aos 3 – e dizem que fiz um escarcéu na igreja, mas nego veementemente – e as outras três antes dos meus 15 anos. Em comum, todas elas casaram com homens “de fora” – 3 da Palma, 1 de Povo Novo. E aí que começou a se desenvolver minha ligação com o pago. Minhas visitas às minhas irmãs eram sempre aventuras à parte. Mais do que simples quebra da rotina “urbana” da Vila da Quinta, elas traziam um quê especial, de vivenciar um mundo que parece que sempre te pertenceu mais nunca foi de todo teu. Talvez toda a mitologia em torno do gaúcho e de suas tradições, que eram bem fortes quando eu era guri, me faziam sentir mais inserido naquele universo do que eu realmente era. E como eu gostava de acordar cedo para comer pão feito em fogão a lenha, de ajudar meu cunhado a ir de carroça levar o leite na porteira, de brincar na imensidão verde que parecia infinita, do breu total da noite, chegando rápido após o pôr-do-sol, do silêncio quebrado somente pelo barulho de algum animal.

Eu cresci e sem dúvida sou mais urbano do que da campanha. E também faz algum tempo que não vou a Palma, com sua beleza quase sacra, de quem não precisava se esforçar pra ser bela. Mas ainda tenho em mim o desejo, talvez inalcançável, de ser um homem do campo, cercado pelo silêncio ensurdecedor da paz que só um rincão oferece. Ou somente sentir um pouco daquela felicidade genuína, que este guri sentia quando corria, livre, pés descalços – com medo dos espinhos -, pelo verde infinito da campanha.

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O Bordão

Guri que se preze tem que ser famoso. Não, não estou falando de ser famoso do tipo que aparecia na TV. Mas famoso entre seus pares, os outros guris. Havia variadas formadas de se tornar famoso entre a gurizada naquela época. Ser bom de bola, ser de bom de briga, saber contar piada, ir bem na escola. No entanto, uma das mais inusitadas formas de se adquirir fama e respeito naqueles dias era criar um bordão. Hein? Sim, influenciados por um humor Chico Anysio de ser e pelas novelas da Globo (“É ruim, hein ô, Creonice!”), criar uma frase que muitos viessem a repetir era motivo de orgulho.

Curiosamente, estas mesmas frases eram de uma efemeridade sem par. Bordões mudavam de um ano para o outro e de tempos em tempos. Mas o autor da façanha era sempre lembrado como dono de astúcia e perspicácia. Ou seja, mesmo que não se lembrasse qual frase havia sido criada, um criador de frases sempre vinha à mente como alguém ligeiro (entenda-se alguém de raciocínio rápido). Eu gozava um pouco dessa fama, por ter sugerido algumas boas ideias aqui e ali – das quais, confesso, sequer me lembro – mas bordão, mesmo, daqueles que pegou e foi usado por muito tempo, só lembro de um.

Talvez possa soar deslocado, mas nos idos de 90, propaganda de cigarro circulava livremente na TV. E achávamos cigarro cool. Mais ainda as propagandas, cada uma mais diferente da outra e todas alegres e reafirmantes do comportamento tabagista. Lembro do cowboy do Marlboro, de gente fazendo rafting para promover o Hollywood (Óliú, para os íntimos) e tantas outras. Mas uma propaganda em particular me chamava a atenção. Era Robin Williams, em uma cabine de rádio, gritando a plenos pulmões algo que eu mal identificava, mas que talvez fosse “the voice of America”. Meu inglês, obviamente, não era nada bom naquela época. Anos depois, descobri que o personagem de Williams na propaganda vinha do filme Bom dia Vietnã [Good Morning, Vietnam].

Ok, mas o que Robin Williams, cigarros, e um bando de guris na Vila da Quinta do início dos anos 90 têm em comum? Simples, essa propaganda foi a inspiração para o meu bordão, aquele que me relegou alguma fama e respeito.

Certo dia, jogando taco*, ao dar uma tacada gritei, imitando Williams, “que bola amberigan”. Sim, essa frase não faz o menor sentido. Na verdade era uma mistura de “que bola” e uma interpretação macarrônica da frase do famoso ator hollywoodiano. E foi espontâneo! Não planejei, pensando dias a fio, apenas expressei. Fruto de horas vendo TV, eu tinha várias propagandas – e bordões – guardados na cabeça. E o mais extraordinário de tudo: ninguém estranhou ou tirou sarro. Ao contrário, identificaram a referência e, tal qual o cigarro, acharam a frase cool. E passaram a repeti-la! Eu acabei sendo reconhecido por algum tempo como o original criador de uma façanha intelectual: repetir, em um “inglês” bizarro, uma frase da TV. Mas não precisava mais do que isto para aqueles pouco exigentes guris.

E o “que bola amberigan” se espalhou por algum tempo. E migrou pro futebol, o esporte oficial da gurizada. E por algum tempo fui reconhecido pela criação de um bordão. Algo tão imprescindível para um guri quanto ver a novela das oito (naquela época não era às nove!) ou saber de cor todas as propagandas de cigarro.

*Se você não sabe o que é o Jogo do Taco, primeiramente, shame on you! O Jogo do Taco é basicamente uma versão menos favorecida do americanizado Baseball. Consiste em duas latas de óleo (naquele tempo era lata, mesmo, pessoal até forrava a casa com elas), de preferência as vermelhas da Soya, porque são mais fáceis de identificar, dois pedaços de pau – tacos – retirados de uma cerca alheia e uma bola de borracha (ou de tênis,  artigo de luxo). O objetivo do jogo é derrubar a lata. Posiciona-se duas pessoas, uma em frente de cada lata, segurando tacos – chamados de “nos taco” – e outras duas, uma atrás de cada lata, com a bola. Quando se dá uma tacada, cada jogador “nos taco” correm em direção um ao outro, contando às idas até uma lata e outra (10 pontos cada ida). Derrubar a lata, por parte dos arremessadores, dá o direito de “pegar nos taco”. A cada 100 pontos, o time “nos taco” pode “bater os taco” e comemorar a vitória.

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Um ano depois, cá estamos

Um ano se passou. Aqueles que esperavam ansiosamente pelo texto prometido neste blog ficaram se perguntando “Ué”. O texto não veio. Nem no dia seguinte. Ou no mês seguinte, como prometido. Ou nos meses seguintes. Um ano se passou e cá estamos.

Exceto pelo fato de que, obviamente, ninguém estranhou a ausência – ou esperou ansiosamente pelo texto –, todo o resto é verdade. Mais uma vez não consegui. Quebrei meu ritmo e, principalmente, minha promessa. E não foi a única coisa que não cumpri no ano passado (apesar de esta ser outra história). Mas a vida não pára (chupa, reforma ortográfica!).

Cá estamos, um ano depois, com promessas renovadas. O cronograma segue o mesmo (e agora parece ter sido boa ideia não ter colocado ano nas datas :D). O guri ainda está  lá, à espreita, escondido nos meandros da memória, esperando ser convocado.

E a hora chegou. A partir de hoje, novamente, atualizarei o blog mensalmente. E se 2015 não permitir – 2014 não foi bondoso -, quem se importa? Tem outros troféu anos.

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